Você assistiu a Distrito 9, de 2009? Não? Isso é bom por que
a sua expectativa pra Elysium (2013) talvez esteja menor. Mas você realmente
deveria assistir ao primeiro longa do diretor Neill Blomkamp.
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domingo, 8 de dezembro de 2013
domingo, 11 de novembro de 2012
CineCrítica - Cosmópolis (2012)
Cosmópolis é um
filme esquisito. Incomum. Se você está pensando em vê-lo “pois tem o Robert
Pattinson”, esqueça. Talvez, mesmo se vocês está acostumado a filmes que te
fazem pensar e exigem mais do seu cérebro do que ele pode processar, Cosmópolis
seja um filme bastante complicado.
A história acontece
no decorrer de um único dia na vida de um gênio milhonário de 28 anos chamado
Eric Packer (Pattinson), que, pela manhã, decide que precisa de um corte de
cabelo. Ele é milhonário, a cidade de Nova York está recebendo a visita do
presidente dos EUA e as ruas estão lotadas de manifestantes. Packer pode
resolver seu problema com apenas um telefonema, mas está decidido a atravessar
a cidade até seu barbeiro, dentro de sua limosine. Através dos engarrafamentos,
paralisações e reuniões de negócios que ocorrem ali mesmo dentro de seu carro,
a viajem acaba por levar um dia inteiro, onde muitas pessoas vão se aproximar
de Packer, com diferentes intenções, e normalmente com discursos verborrágicos
e filosóficos sobre o capitalismo, a falta de tempo, os avanços tecnológicos e
sobre a transformação da vida em um ciclo robótico e infinito.
Será que a a
tecnologia avançou demais para o nosso próprio bem? Pessoas morrem sem nenhum
dinheiro, sem recursos, enquanto outras, como o próprio Eric, tem dinheiro suficiente
para fazer um check-up médico todos os dias. O tempo está acelerado demais. As
pessoas já não vivem. Procura-se prever as coisas baseando-se em padrões, mas
não são as anomalias que costumam afetar mais o todo? Afinal, a atenção se
volta para o que se destaca.
Todo esse parágrafo
anterior pode não fazer muito sentido. Mas essas idéias, perguntas,
afirmações... são coisas nas quais minha mente está trabalhando após o término
de Cosmópolis.
Não, o filme não é
perfeito. Seus 100 minutos demoram a passar, que indica certa falta de ritmo.
Mas David Cronenberg consegue extrair uma atuação ótima de Robert Pattinson,
consegue criar um clima claustrofóbico, perturbador, e passar toda a frieza do
sistema que não difere em nada do nosso. A única diferença é que ali o caos já
começou.
As pessoas com um pouco de conhecimento já
vêem toda essa merda mostrada no filme de Cronenberg e no livro de Don DeLillo
há algum tempo. O ódio e resignação das classes mais baixas. Os distúrbios
psicológicos, a necessidade de uma válvula de escape, que pode não ser
encontrada. A vida vai perdendo a graça enquanto o tempo para cada uma de
nossas ações deve ser medido na casa dos segundos.
As vezes, penso no
nosso modo de vida como uma bomba caseira. Todos os ingredientes para o
desastre estão prontos e no lugar. Só falta o cronômetro chegar a zero.
Cosmópolis
(Cosmopolis, 2012)
Direção: David Cronenberg.
Roteiro: David Cronenberg (baseado no romace de Don DeLillo).
Elenco:
Nota: 9,0
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
A Saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 1
Claro que dividir o último livro da saga em dois filmes foi uma jogada totalmente comercial. Não foi como em Harry Potter e as Relíquias da Morte por exemplo, onde o material era realmente suficiente para dois filmes.
Mesmo assim, Amanhecer Parte 1 não é, nem de longe, tão enfadonho quanto eu esperava.
Se muita gente fala que neste capítulo a franquia acaba de estilhaçar a mitologia dos vampiros apresentando uma história onde uma humana engravida de um vampiro morto-vivo (!), eu digo: Dane-se. Como uma obra de ficção a autora pode fazer vampiros conviverem com ursinhos carinhosos se ela quiser, desde que isso traga a trama algo interessante ao seu público. E a idéia de Bella Swan ter um bebê assassino dentro dela, que a está matando aos poucos, e a obrigando a tomar sangue ainda na condição humana, é provavelmente, a melhor idéia que Stephenie Meyer já teve.
É bizarro, pra falar o mínimo. O problema, é que como em todos os capítulos da saga até agora, esse mote interessante é cercado de coisas totalmente desinteressantes, e o romance fica mais água com açúcar do que nunca, chegando ao ponto de a vergonha alheia se tornar uma constante durante a projeção. No livro, esses diálogos estavam espaçados por longas (beeeem longas) passagens de descrições, o que nesse caso era até um ponto a favor. No entanto, depois da metade do esses defeitos diminuem consideravelmente, e o filme passa rápido.
Tecnicamente, esse Amanhecer parece um pouco pior do que o anterior, principalmente nos efeitos. A única coisa que parece ótima, é a fotografia de Guillermo Navarro. A trilha sonora está pior que os anteriores assim como as atuações de grande parte de elenco. Exceto pelo ator que interpreta Charlie, ele é muito engraçado em algumas cenas. Quanto a Kristen Stewart, vamos parar de crucificar a moça, ela é insossa, chata e sem carisma, simplesmente por que Bella Swan é insossa, chata e sem carisma. Pra quem leu o livro, dá pra ver que a atriz cria a personagem de forma exata, mesmo que isso não seja bom.
A direção de Bill Condon não se destaca, mas também não é ruim. Algumas cenas são boas, como a do parto e a do Imprinting de Jacob. Esta última só é estragada pela edição maluca, que corta uma cena bonita de forma totalmente abrupta.
Pra falar bem ou mal, eu li todos os livros da série. Gostei do primeiro, o segundo não consegui terminar, pois, assim como o filme, Lua Nova é absolutamente sem graça. De Eclipse eu gostei bastante, embora fosse ainda um pouco irritante em algumas partes. Já Amanhecer em livro, é cheio de altos e baixos. Muito longo, e com um final no mínimo (muito) decepcionante. A conclusão que cheguei é a seguinte: É uma série que não tem nada demais, nem pra bom, nem pra ruim. As críticas exageradas em cima da obra só fizeram aumentar a curiosidade em cima dela. Quando fui ler o primeiro, a maioria das pessoas que haviam lido me falavam que era legal. Não diziam que era incrível, nem que era uma merda. Mas depois de um tempo e de muitas críticas começarem a rodar o mundo por todos os veículos de mídia possíveis, também surgiram os amantes incondicionais da série. Quem antes gostava, agora amava, e quem antes não dava atenção, agora odiava. Nesse vai e vem, Meyer ficou podre de rica, e ninguém mais percebeu que, como eu disse, a série não tem nada demais.
NOTA: 5,0 (Média)
Mesmo assim, Amanhecer Parte 1 não é, nem de longe, tão enfadonho quanto eu esperava.
Se muita gente fala que neste capítulo a franquia acaba de estilhaçar a mitologia dos vampiros apresentando uma história onde uma humana engravida de um vampiro morto-vivo (!), eu digo: Dane-se. Como uma obra de ficção a autora pode fazer vampiros conviverem com ursinhos carinhosos se ela quiser, desde que isso traga a trama algo interessante ao seu público. E a idéia de Bella Swan ter um bebê assassino dentro dela, que a está matando aos poucos, e a obrigando a tomar sangue ainda na condição humana, é provavelmente, a melhor idéia que Stephenie Meyer já teve.
É bizarro, pra falar o mínimo. O problema, é que como em todos os capítulos da saga até agora, esse mote interessante é cercado de coisas totalmente desinteressantes, e o romance fica mais água com açúcar do que nunca, chegando ao ponto de a vergonha alheia se tornar uma constante durante a projeção. No livro, esses diálogos estavam espaçados por longas (beeeem longas) passagens de descrições, o que nesse caso era até um ponto a favor. No entanto, depois da metade do esses defeitos diminuem consideravelmente, e o filme passa rápido.
Tecnicamente, esse Amanhecer parece um pouco pior do que o anterior, principalmente nos efeitos. A única coisa que parece ótima, é a fotografia de Guillermo Navarro. A trilha sonora está pior que os anteriores assim como as atuações de grande parte de elenco. Exceto pelo ator que interpreta Charlie, ele é muito engraçado em algumas cenas. Quanto a Kristen Stewart, vamos parar de crucificar a moça, ela é insossa, chata e sem carisma, simplesmente por que Bella Swan é insossa, chata e sem carisma. Pra quem leu o livro, dá pra ver que a atriz cria a personagem de forma exata, mesmo que isso não seja bom.
A direção de Bill Condon não se destaca, mas também não é ruim. Algumas cenas são boas, como a do parto e a do Imprinting de Jacob. Esta última só é estragada pela edição maluca, que corta uma cena bonita de forma totalmente abrupta.
Pra falar bem ou mal, eu li todos os livros da série. Gostei do primeiro, o segundo não consegui terminar, pois, assim como o filme, Lua Nova é absolutamente sem graça. De Eclipse eu gostei bastante, embora fosse ainda um pouco irritante em algumas partes. Já Amanhecer em livro, é cheio de altos e baixos. Muito longo, e com um final no mínimo (muito) decepcionante. A conclusão que cheguei é a seguinte: É uma série que não tem nada demais, nem pra bom, nem pra ruim. As críticas exageradas em cima da obra só fizeram aumentar a curiosidade em cima dela. Quando fui ler o primeiro, a maioria das pessoas que haviam lido me falavam que era legal. Não diziam que era incrível, nem que era uma merda. Mas depois de um tempo e de muitas críticas começarem a rodar o mundo por todos os veículos de mídia possíveis, também surgiram os amantes incondicionais da série. Quem antes gostava, agora amava, e quem antes não dava atenção, agora odiava. Nesse vai e vem, Meyer ficou podre de rica, e ninguém mais percebeu que, como eu disse, a série não tem nada demais.
NOTA: 5,0 (Média)
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Uma Homenagem a Harry Potter + Cine-Crítica Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2

No longínquo 2001 eu estava na sexta série, e tinha um colega que vivia falando de um livro maravilhoso que ele havia lido. Tratava-se de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Como este colega tinha certo crédito (o cara era/é inteligente pacas), criei grandes expectativas para a adaptação cinematográfica que sairia no fim do ano.
Bastou assistir ao filme de Chris Columbus para ficar enlouquecido. Pode parecer exagero, mas aquilo foi um marco na minha vida (assim como algumas outras obras dos mangás, cinema Etc. mas HP é a minha preferida) . As eras se dividiram em Pré HP/Pós HP. Isso por que eu cresci lendo essa série, e como milhões de crianças e adolescentes, envelheci junto com os personagens, amadureci com eles.
Hoje em dia, pegar o primeiro livro para ler traz um certo estranhamento. A escrita de Rowling era bem mais simples e a história mais infantil. Mas quando lemos a partir do quarto, esse estranhamento desaparece. É o volume onde tudo fica mais sombrio e adulto. E segue assim até o fim.
Existem muitos pontos a se chamar a atenção quando o assunto e HP. Mas para mim, a maior realização de J.K. Rowling foi criar um
mundo absurdamente criativo, e povoá-lo com... sei lá, talvez uma centena de personagens adoráveis, ou que adoramos odiar. Todos os coadjuvantes são incrivelmente carismáticos, tanto que o próprio Harry fica meio esquecido no meio deles. É muito raro uma pessoa dizer que seu personagem favorito é o Harry.

Muitos dizem que o valor literário da série é nulo. Pseudo-Cults, leitores de livros clássicos que não aceitam que nada novo seja também excelente. Os clássicos são clássicos por um motivo, eu entendo, mas nada impede que uma obra nova se firme como um clássico. Harry Potter é uma obra que vai ser lembrada e lida daqui a cinqüenta anos (se a humanidade chegar até lá). Se você não leu ainda, ou não conhece os filmes (se é que existe alguém que não tenha visto pelo menos um filme...), e alguém chegar pra você e disser que é puro hype, que os livros não são lá essas coisas, não acredite! Leia e tire as suas conclusões, não seja como alguns que criticam sem conhecer nem mesmo o mínimo. Para os Pseudo-Cults, saibam que O Senhor dos Anéis foi muito mal falado pela crítica da época, e hoje é considerado a maior obra de fantasia do século passado.
Deixe-se levar por essa história. Mesmo que o furor esteja acabando agora depois do lançamento do último filme, a obra vai continuar excelente como sempre. A leitura da série é hipnotizante. Nunca antes nenhum livro me prendeu tanto quanto qualquer um da série.
Aqui deixo algumas das minhas preferências pessoais sobre a série. Quem estiver lendo, esta postagem, deixe também as suas preferências nos comentários.
Personagem Favorito: Luna Lovegood (que quase não aparece nos filmes :/)
Livro Favorito: Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Filme Favorito: Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2
+
Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 – Resenha

Finalmente chegou ao fim a saga de mais de dez anos de Harry Potter no cinema. O gosto é agridoce... Acabou... É difícil acreditar. É um dejá vu de quando acabei o último livro, uma sensação de vazio. Quando li As Relíquias da Morte, essa sensação veio junto com uma imensa satisfação pela forma espetacular com que J. K. Rowling terminou a história. E agora, esse sentimento se repete também com o excelente desfecho cinematográfico.
Tecnicamente Falando...
Simplesmente não há o que reclamar da parte técnica do filme.
A trilha sonora é um espetáculo, a melhor até aqui, unindo algumas das já clássicas músicas de John Williams com composições novas maravilhosas e muito bem utilizadas no filme.
A fotografia segue o padrão do último filme, ou seja, escuro pra caramba. Dark mesmo. Mas ainda assim muito bonito.
David Yates manda bem na direção, construindo planos belos, que eu não esperava ver.
E é claro, os efeitos especiais estão magníficos. A maioria das criaturas do filme estão absolutamente convincentes, e os duelos são espetáculos a parte.
Vale lembra o sempre ótimo desenho de produção, que deixa os cenários lindos para depois serem destruídos.
Opiniões Gerais
O que muitos fãs querem saber quando não viram, e meter o pau depois de assistirem? A fidelidade para com os livros. Não o filme não é muito fiel. Muita coisa foi mudada em prol da pirotecnia e algumas coisas foram acrescentadas. Cortes? Não me lembro de nada importante que não tenha sido colocado. Não mostra o Harry reparando a varinha de pena de fênix, mas que eu me lembre é só isso.
As mudanças não foram de forma alguma ruins. Claro, aquela batalha final movimentada e cheia de explosões é muito estranha para os fãs, mas rende um espetáculo visual de primeira. A cena do ataque dos comensais ao escudo de Hogwarts é uma bela homenagem as épicas batalhas medievais. No filme, alguns dos coadjuvantes ganham um destaque a mais na batalha de Hogwarts, como Simas Finnigan, que vivia explodindo as coisas nos filmes anteriores, agora é incumbido de detonar Hogwarts se for preciso. A grande participação de Neville na destruição das Horcruxes é bem mais legal no livro, mas está presente também no filme. Além disso, sobra bastante espaço para o humor no meio de todo o sofrimento e da destruição que toma conta da escola.

As atuações estão muito boas. O trio principal evoluiu muito com o passar dos anos. Claro, ainda falta muito para serem grandes atores, mas estão muito bem. Os veteranos como Michael Gambon e Maggie Smith entre outros continuam ótimos como sempre. Gary Oldman faz uma pequena ponta em uma cena e nem me lembro se ele fala alguma coisa. Dos outros jovens, o que mais chama a atenção é Mathew Lewis, como Neville Longbotton, que tem uma participação maior nesse filme e realmente demonstra a mudança ocorrida com o personagem nesse último ano. Para falar de Alan Rickman, começo um novo parágrafo.

Se há um destaque supremo no quesito atuações, é Alan Rickman, como Severo Snape. Todas as suas cenas nesse filme são de tirar o fôlego. Claro, ele é o personagem mais “favorecido” pelo roteiro, com as cenas mais difíceis, e as tira de letra. Não tem como não se emocionar nas cenas (SPOILLERRRRRRRRRR!!!!! Pule para o próximo parágrafo se não assistiu o filme ou não leu o livro. São os maiores Spoillers da série, e talvez as melhores passagens dela. Ah, vai ler assim mesmo? Não diga que eu não avisei) de sua morte – muito bem filmada, diga-se de passagem - , o seu flashback ou até mesmo na luta com a professora McGonagall, onde ele não pode atacar, mas também não pode demonstrar isso. É impressionante ver como um ator consegue trazer um carisma tão grande ao seu personagem depois de causar tanta antipatia nos filmes anteriores. Depois dessa, sou fã declarado.

O fim do filme, os 19 Anos Depois, não gostei muito pelo fato de os próprios atores jovens fazerem os personagens coroas já. Mas, por outro lado, usar outros atores poderia ser catastrófico.
Ah... acabou. Você que é fã, faça como eu, chore o filme inteiro. Você que não é, que só acompanhou os filmes, faça isso também! Se você não conhece, não devia nem estar lendo a resenha do último filme! Vá assistir o primeiro filme ou ler o primeiro livro! Acabou... Mas a série de J. K. Rowling estará para sempre imortalizada nos nossos coraçõezinhos!
*Nossa, que frase mais brega essa última!
** Mas é verdade!
*** S2
Nota:9,0
Postagem disponível também no blog O Caldeirão Furado .
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Cine-Crítica: Não Me Abandone Jamais
Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go, 2010) é a adaptação cinematográfica do livro de Kazuo Ishiguro, nascido em Nagasaki, Japão, em 1954, mas naturalizado inglês em 1982, já que mora na Inglaterra desde os seis anos.
Narra a história de três jovens, Kathy, Tommy e Ruth, desde que eram crianças, estudando em um colégio interno na Inglaterra. Em um certo ponto da história, ficamos sabendo que os estudantes de tal internato, estão destinadas a crescerem e doarem seus órgãos, até finalmente, morrerem, ou como os personagens falam, “completarem”.
A história é no mínimo, diferente. Não em relação a premissa em si, já que algo parecido com isso já foi levado ao cinema alguns anos atrás em A Ilha (The Island, 2005) de Michael Bay. A diferença, está na forma como a história é conduzida, muito mais delicada e dramática, sem a ação que estamos acostumados no cinema de Bay. Quando crianças, Kathy, uma das mais inteligentes alunas, era apaixonada por Tommy, uma espécie de garoto problema, que sofria com o bullying dos colegas. Tommy corresponde ao amor de Kathy, mas devido a falta de iniciativa de ambos, acaba começando a se relacionar com Ruth, que não deixa claro os motivos que a levaram a gostar do garoto que ela mesma provocava. A partir de então, os anos começam a passar, Tommy e Kathy continuam apaixonados, embora ele ainda esteja com Ruth.
O filme tem um clima que lembra O Jardim Secreto (The Secret Garden, 1993) e A Princesinha (A Little Princess, 1995), pelo menos no início, e vale ressaltar que não se trata de um filme futurista. Na verdade a história se passa em um século XX alternativo, onde esses transplantes de órgãos elevam consideravelmente a expectativa de vida das pessoas. O autor explora a partir desses pontos, a crueldade humana. Em certo ponto alguém pergunta se as pessoas parariam com esses procedimentos se o preço fosse voltar a viver num mundo cheio de doenças, e essa mesma pessoa responde: Não. Além disso, a obra tem claro cunho romântico. Este sempre é o mote principal da história, o amor sendo os motivos para as ações dos personagens, juntamente com a solidão e o sentimento de que na verdade não fazem parte do mesmo mundo que as outras pessoas.
Em certo ponto da história surge um boato de que as pessoas que se apaixonam, e são capazes de provar que encontraram um amor verdadeiro, poderiam conseguir um adiamento no tempo de doação, para passar uns anos a mais na companhia de seu amante. E é estranho perceber, que mesmo aqueles que não conseguem tal adiamento, apenas seguem com o planejado. A criação que recebem as impede de tentarem fugir ou se esconder, eles apenas obedecem. São algumas atitudes que podem nos parecer incompreensíveis, mas que fazem todo o sentido dentro da história.
Todo o drama retratado não teria nenhum impacto sem a excelente direção de Mark Romanek, diretor principalmente de videoclipes, e as atuações de um elenco de primeira, tanto na fase infantil, quanto na fase adulta dos personagens. Das crianças, dou todo o destaque para Izzy Meikle-Small, que interpreta Kathy de forma adorável e sensível. Já nos atores que interpretam os personagens adolescentes e adultos, a coisa é mais parelha. Keira Knightley nos faz ter ódio de Ruth num momento, simpatia em outros, e até mesmo pena. A atriz Carey Mulligan, como Kathy, é doce, tem um ar triste e trabalha a personagem de forma tão sensível quanto a sua versão mirim (aliás, é impressionante a semelhança entre as duas atrizes). Já Tommy, ficou com o ator Andrew Garfield, conhecido pelo recente papel em A Rede Social (The Social Network, 2010) e por ser o futuro Homen-Aranha, e cabe a ele uma das cenas mais impactantes do filme, já próxima do final.
Tecnicamente, o filme é irretocável, com sua lindíssima fotografia e trilha sonora. A retratação da época também é ótima. Talvez o único defeito que eu tenha notado, seja falta de ritmo em certas partes. Mas de qualquer forma, o filme não é muito longo, e esse acaba se tornando um problema pequeno.
Mesmo sendo muito bem feito e bem atuado, a maior parte da beleza deste filme vem de seus questionamentos.
“O que eu não sei ao certo, é se as nossas vidas são tão diferentes das vidas das pessoas que nós salvamos. Todos completamos (morremos). Talvez nenhum de nós realmente entenda as coisas pelas quais passa; ou sinta que teve tempo suficiente.”
Lindo e muito bem realizado. Recomendo.
Nota:9,0
domingo, 28 de agosto de 2011
Cine-Crítica: X-Men: Primeira Classe
Finalmente! Consegui assistir a X-Men:Primeira Classe!
Devo dizer que eu era um dos únicos que colocavam fé nessa obra. Quanto mais traillers e imagens saiam, mais o público em geral ficava com um pé atrás. E digo o porque de eu ter colocado fé desde o início: Um nomezinho envolvido na produção, e não foi o de Bryan Singer, e sim o de Matthew Vaughn.
Vaughn já fez muitos filmes excelentes, como a adaptação para o cinema da obra literária de Neil Gaiman, Stardust: O Mistério da Estrela e mais recentemente o ótimo Kick-Ass: Quebrando Tudo (por que insistem em colocar esses subtítulos no Brasil?). Esses dois filmes por si já davam ao diretor um certo crédito, então, depositei nele minha confiança de que seria um dos melhores filmes dos mutantes da Marvel.
Se realmente isso se concretizou? Com certeza, mas não tenho certeza ainda se é “o” melhor, faz muito tempo desde que olhei X-Men 2, que até o momento era o melhor na minha opinião(e na de quase todo mundo), mas já adianto que esse “Primeira Classe” é um forte candidato.
Desta vez, esqueça Wolverine, Tempestade, Ciclope, Vampira, Jean Grey e companhia. First Class se foca nos primeiros companheiros de Charles Xavier (companheiros e não alunos, já que aqui o Instituto Xavier nem tinha sido fundado ainda). Magneto ainda não era o antagonista da história, e sim um amigo de Xavier. Junto com Banshee, o Fera, Mística e Destrutor (eu prefiro chamá-lo de Havok) ele enfrentam Sebastian Shaw (muito bem interpretado por Kevin Bacon) e sua trupe. A história se foca no início dos X-Men, nos seus passados, nas relações entre Xavier, Mística e Erik, e nas diferenças ideológicas que os separaram. Não é necessário explicar muito a história, sendo que você provavelmente vai assistir a este filme (senão nem estaria lendo esse texto), mas pode-se dizer que a trama de First Class agrada bastante, com algumas reviravoltas bacanas, bons diálogos, ajudados também por ótimas atuações, principalmente de James McAvoy e Michael Fassbender, Xavier e Magneto, respectivamente.
Na parte técnica, temos uma boa trilha sonora, que não chama muito a atenção, mas cria bem o clima e não atrapalha em nenhum momento. Quanto aos efeitos especiais, devo dizer que eles tem seus altos e baixos. Me agradaram (ou melhor, não me incomodaram, e são melhores que os de Origens Wolverine, fique tranqüilo), mas algumas vezes nota-se claramente o CGI, fazendo o filme parecer até datado para os mais desavisados. E agora, começo um novo parágrafo para dizer algo que pode incomodar alguns, mas que já havia notado nos dois filmes anteriores do diretor, e sempre quis falar.
Sou só eu, ou os filmes de Matthew Vaughn geralmente tem efeitos irregulares? Kick-Ass tem algumas cenas muito esquisitas (pra não dizer toscas) no quesito efeitos especiais, assim como Stardust. Não só isso, parece que o diretor não exige muito desses aspectos. Não que isso seja algo exatamente ruim, já que alguns diretores focam-se tanto na perfeição técnica que se esquecem de coisas mais importantes, como a direção de atores por exemplo, que é um dos pontos fortes dos filmes de Vaughn. Ou seja, o diretor não se apóia em efeitos especiais para realizar um bom filme, e é bom ressaltar os excelentes planos do diretor, que constrói cenas de tirar o fôlego.
No geral, Primeira classe também não tem tanta ação quanto os outros filmes de super-heróis. Porém, a maioria das pessoas provavelmente não vai sentir tanta falta disso, já que a história mais enxuta prende bem a atenção. Os poderes dos mutantes são legais de serem observados (mesmo com os altos e baixos dos efeitos mencionados antes), e alguns chegam a ser um tanto bizarros, como as bombas que Angel solta pela boca. Falando em poderes, o que rende algumas das cenas mais legais do filme é o de Sebastian Shaw, que infelizmente, não os usa muito durante a projeção. De qualquer forma, prepare-se para assistir a algumas cenas de ação muito bem filmadas.
Eu gostei muito de First Class, embora tenha um gostinho de “quero mais” (que é bem parecido com o sentimento de “Parece que faltou alguma coisa”. Não li os quadrinhos, mas o pessoal na internet está dizendo que o filme não é lá muito fiel a obra original. No entanto, as ligações com os filmes anteriores, principalmente com os dois primeiros são ótimas (inclusive, a cena inicial saiu diretamente de X-Men: O Filme), já que os outros são meio desconsiderados pelos fãs, e nem foram feitos pelas mesmas pessoas. Vale destacar que há uma pequena aparição de Wolverine, inserida no contexto de forma genial e bem humorada. Os X-Men continuam sendo meus personagens favoritos da Marvel (da linha dos Super-Heróis), mesmo que Homen-Aranha tenha filmes melhores no geral, acho a história de X-Men mais profunda e complexa. E que venham mais filmes deles, desde que sejam sempre tão bons quanto este.
Nota: 8,5
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Cine-Crítica: Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

Namorados Para Sempre tem um título nacional terrível, que nada tem a ver com a história contada. Este título nos passa algo alegre, uma comédia romântica de final feliz e perfeito. Mas na verdade, Blue Valentine (o título original) mostra a vida de Cindy e Dean, um casal que passa por sérios problemas, e cujo amor parece ter acabado (pelo menos de uma das partes).
Não adianta eu gastar meu tempo e conseqüentemente mais palavras para pensar em formas rebuscadas de dizer o que o filme me passou, basta dizer que é triste, longo e realista. O diretor Derek Cianfrance filma quase tudo em planos fechados, tornando o clima um tanto sufocante. As discussões do casal parecem estar acontecendo na nossa sala de estar, e sentimos a dor dos personagens como se estivéssemos presenciando tudo em tempo real.
E para isso também temos a ajuda de grandes interpretações de Ryan Gosling (de Diário de uma Paixão) e Michelle Williams (a Jen de Dawson’s Creek), provavelmente as melhores de suas carreiras. E não é exagero dizer que sem tais interpretações o filme não teria a metade de seu peso

Na parte técnica o filme é muito agradável em todos os aspectos. Na já citada direção, na boa fotografia, na ótima trilha sonora e por aí vai. Vale mencionar que a estrutura do filme não é linear, e que ele se passa em dois períodos distintos: Um passado próximo, no qual o casal era feliz, o início do namoro até o casamento, e o presente conturbado. A trama passeia por esses períodos, inclusive nos surpreendendo de vez em quando com algumas ótimas transições.
Blue Valentine não é um filme alegre. É depressivo e não tem um final feliz. Não apela a clichês do gênero para nos dar um final trágico, apenas conta uma história com muito mais verdade do que o cinema Hollywoodiano está acostumado. É a verdadeira arte que imita a vida, e todos sabemos que a vida nem sempre tem como saldo uma mensagem positivista. Às vezes, as coisas simplesmente acabam mal.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Cine- Crítica: Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010)

Scott Pilgrim Contra o Mundo é um filme engraçadíssimo. Ok, mais para alguns do que para outros, mas ainda assim, um filme que vai agradar a maioria do público que está atrás de uma obra inteligente e original.
A trama é completamente nonsense, baseada na Graphic Novel de Bryan Lee O’Malley. Scott Pilgrim é um adolescente(bem, mais ou menos já que ele tem 22 anos) canadense , que encontra Ramona, a garota de seus sonhos (literalmente) e se apaixona. O único problema é que ela tem sete ex-namorados malignos, que formaram uma liga com o objetivo de não deixar que ela namore com ninguém. Simples assim, se ele quiser ficar com ela, vai ter que derrotar todos os sete. A estes personagens juntam-se outros hilários, como Wallace, o amigo gay de Scott, que mora com ele e inclusive dorme na mesma cama, os integrantes da banda de Scott, a Sex Bob-Ombs, a adorável Knives, entre outros.
Se você for um nerd, aficionado por games, HQs, mangás, séries, vai gargalhar praticamente sem parar (principalmente na primeira metade do filme) a cada referência a cultura pop. Sem dúvida, essas referências são um grande ponto a favor do filme. Algumas são nostálgicas, como a música de The Legend of Zelda: A Link to the Past que toca já na abertura do filme, outras são hilárias, como quando Scott chega em casa, e toda frase que ele diz é acompanhada de um som de platéia, aplausos e vaias, uma alusão as sitcoms americanas de comédia. Por isso o filme é mais engraçado e agradável para uns do que para outros.
Quem entende a linguagem do filme certamente vai curtir muito mais, mas isso não quer dizer que não haja atrativos para quem não está familiarizado com esse mundo nerd. As lutas são muito bem feitas. Bem filmadas e coreografadas. Além disso, o diretor Edgar Wright (dos divertidos Todo Mundo Quase Morto, e Chumbo Grosso) impõe, juntamente com a montagem, um ritmo ágil, que só se perde um pouco a partir da metade, quando começa a ficar um pouco repetitivo, o que aliás, é o único defeito grave do filme. E também, não pense que o filme só contém piadas nerds. Existem um sem número de situações gargalhantes, que vão do nonsense ao constrangedor.

Todos os atores estão todos ótimos, Michael Cera tem um carisma natural, e passa isso a Scott. Mas quem merece destaque é Kieran Culkin, que faz Wallace, impagável. A trilha sonora é composta por indie rock, o que é ótimo, e casa perfeitamente com o clima.
Entretanto, é bom deixar um aviso aqui. O filme não tem nenhuma pretensão ao realismo, ou seja, não é para aqueles que vêem dois personagens lutando no ar e dizem “ah, nada a ver, como é que ele faz isso?”. O filme é permeado por ideogramas (cada soco é um “PAH” ou um “POW”), as lutas são deliciosamente mentirosas, e na maioria das vezes, lotadas de referências a games de RPG e de luta ( como telas de “VS” e contadores de combo e de XP), então não se espante ao ver um personagem derrotado deixar apenas um monte de moedas no chão. Se você não acha isso engraçado, acredite, para alguns, como eu, é simplesmente hilário.
Os efeitos são simples, mas muito bem feitos, e não atrapalham em nada a narrativa. A direção é muito boa, trazendo planos muito bacanas, e adaptando o clima de história em quadrinhos como nunca antes.
Totalmente original e divertido, Scott Pilgrim Contra o Mundo é entretenimento de alto nível. Recomendado a todos que procuram por novidade e estão abertos a total falta de realidade, tanto no sentido já mencionado anteriormente (lutas, visual), mas também em algumas tramas, que não tem outro motivo para acontecerem de repente, a não ser o de fazer rir. Comigo funcionou, e eu ainda ri muito nesta quarta visita.
Nota: 9,0
*** Visite o meu novo blog, em parceria com um amigo: http://livroblogplus.blogspot.com/
Escrevemos uma história cada, e postaremos um capítulo por semana. Leia, comente, divulgue!
sábado, 14 de maio de 2011
Cine-Crítica: Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009)

Em 2007, Greg Mottola dirigiu um filme de comédia juvenil muito bom, Superbad – É Hoje. Este se destacava dos demais filmes do gênero por trazer situações originais, ótimos personagens e um final memorável. Dois anos mais tarde, o diretor entregou mais uma comédia adolescente, ainda melhor que a anterior, Férias Frustradas de Verão (mais um nome nacional terrível).
O filme conta a história de James( Jesse Eisenberg), um adolescente que acabou de se formar no ensino médio, e para poder se mudar para Nova Iorque e ingressar na faculdade, precisa arrumar um emprego de verão, e juntar uma grana. Sem nenhum tipo de experiência profissional, o único emprego que ele consegue é em um parque de diversões chamado Adventureland (o título do filme em inglês). Lá ele faz muitos novos amigos e conhece Emily (Kristen Stewart), garota pelo qual ele se apaixona.
Pela pequena sinopse apresentada acima, não parece nada que já não tivéssemos visto antes, mas o ponto forte do filme são os personagens, e como as relações entre eles se desenvolvem de forma suave e gradual, nunca parecendo rápidas demais ou atropeladas. Tanto o romance quanto a comédia embalados por uma trilha sonora espetacular, com clássicos dos anos oitenta (período onde a história é ambientada) e anteriores surgindo um atrás do outro. The Velvet Underground, The Cure, The Rolling Stones, David Bowie, Lou Reed (em carreira solo), Poison e por aí vai.

O filme é dividido entre passagens românticas e engraçadas (ou os dois). A comédia do filme é bem light, não apela para piadas fáceis ou para os clichês comuns desse tipo de filme. E o romance é muito envolvente, graças ao diretor (que também é o roteirista) e também aos atores. Já sou um fã assumido de Jesse Eisenberg, que também protagonizou mais recentemente Zumbilândia e o neo-clássico A Rede Social. Aqui ele consegue passar toda a emoção de James, consegue ser tímido sem ser bobo. Quanto a Kristen Stewart, é impressionante como seus trabalhos pré-Crepúsculo eram melhores. Na sua filmografia temos bons (O Quarto do Pânico) e ótimos (Na Natureza Selvagem) filmes. Stewart é linda, possui sim uma boa dose de talento, mas eu acho que ela vai ficar marcada por muito tempo como a inexpressiva Bela Swan. Mesmo assim, em Adventureland ela faz um trabalho muito bom, entregando inclusive ótimas cenas dramáticas, e eu espero que depois do fim da saga Crepúsculo ela comece a escolher bons projetos e desenvolva esse potencial que ela com certeza tem. Além deles, os coadjuvantes Bill Hader, como o hilário dono do parque e Martin Starr como o tímido Joel também ganham destaque.
Acho que, mesmo com toda a parte técnica excelente, o que faz mesmo este filme tão bom é o clima da história. É daquelas que nos faz desejar que estivéssemos dentro da tela, convivendo com aqueles personagens. E isso está cada vez mais raro em filmes deste gênero. É uma comédia que não precisou ficar vulgar ou abrir mão da sensibilidade para ser muito engraçado, divertido e empolgante. Uma das minhas comédias favoritas, e com certeza, uma das melhores dos últimos anos.
NOTA: 9,5
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Cine-Crítica: Contraponto

Terry Gillian é um cara estranho. O diretor dos excelentes filmes do Monty Pyton é famoso por dar a luz a projetos nada convencionais. Existem muitos filmes considerados obras-primas em sua filmografia que ainda não assisti, como Brazil – O Filme e Os 12 Macacos. No entanto, mesmo levando em conta apenas os seus filmes que eu assisti, Contraponto (Tideland, 2005) não pode ser considerado o melhor, nem tampouco, ruim.
Esta obra de Gillian caracteriza-se principalmente pela agressividade e crueza. Na primeira cena do filme, a personagem Jeliza-Rose lê uma passagem de Alice no País das Maravilhas. Na próxima cena, a personagem (que é uma criança de aproximadamente 10 anos) aparece preparando uma dose de heroína para seu próprio pai, ou as “férias”, como ele diz. Após a morte de sua mãe devido a uma overdose de metadona, Jeliza-Rose e Noah (seu pai) se mudam para uma casa abandonada no campo, que pertencia a mãe de Noah. A partir de então, Jeliza começa a viver em um mundo onde ela mistura a fantasia com o mundo real, é a forma que ela encontrou de lidar com a dura realidade. Outros personagens aparecem mais tarde, Dell, uma taxidermista velha e cega de um olho, e seu irmão com problemas mentais, Dickens.
Gillian elabora cenas de beleza visual inquestionável, e sua câmera inquieta, aliada com ângulos estranhos e delirantes tornam toda a experiência um tanto incômoda. E parece que é isso mesmo que o diretor queria. O filme é repleto de cenas perturbadoras, como o relacionamento entre Rose e Dickens. Não que estas cenas mostrem algo realmente forte, mas temos a sensação de que algo de pior pode acontecer a qualquer momento. Por outro lado, vale lembrar que AMBOS os personagens são crianças e portanto, possuem uma inocência difícil de ser compreendida por nós, adultos. Há também algumas cenas repugnantes e nojentas. Em contraponto (não é um trocadilho) a essas, existem outras cenas de uma pureza cativante. Me refiro as solitárias brincadeiras de Jeliza em seu mundo de faz de conta, e neste ponto, me obrigo a falar da atuação da então pequenina Jodelle Ferland. Todos os atores fazem muito bem seus papéis, até aqueles que mal aparecem, mas Jodelle (a Sharon de Silent Hill), no papel de Jeliza, segura o filme quase sozinha, já que ela está em praticamente todas as cenas, e boa parte dessas, contracenando com ela mesma. As brincadeiras com suas quatro cabeças de boneca que ela coloca na ponta dos dedos impressiona, principalmente pelas vozes que Jodelle dá a cada uma delas, realizando diálogos (que na verdade são monólogos) encantadores. Além disso, a atriz cativa o expectador, que é fisgado pelo seu carisma.
No geral, os pontos baixos do filme são poucos, mas que podem ser considerados alguns dos mais importantes. Cito aqui a falta de ritmo, que torna o filme cansativo, e a impressão que fica ao final, de que o objetivo da história não foi totalmente alcançado, e que a premissa poderia ter ido mais longe.
Mesmo assim, Contraponto é um filme belo, mesmo que não seja para qualquer público. É sobre abandono, sobre o efeito das drogas em uma família e, acredito que principalmente, sobre inocência.
NOTA: 7,5
terça-feira, 3 de maio de 2011
Cine-Critica: Karatê Kid (2010)

Releitura (isso, releitura e não remake), do clássico juvenil dos anos oitenta, agora ambientada na china, e trocando o Karatê do título pelo Kung Fu.
Tinha tudo para dar errado, incluindo música do Justin Bieber, e o próprio fato de se baseado em um filme antigo (não dá pra negar que a maioria dos remakes e das releituras são ruins, ainda mais desses filmes com o espírito oitentista).
Mas no fim das contas, o resultado foi melhor do que as minhas mais altas expectativas. Este novo Karatê Kid é muito divertido. Contém muitas partes emcionantes e empolgantes, além de que, ao contrário da opinião geral, não achei o filme longo demais. Na verdade, sempre achei o antigo muito curto, e a metragem deste é na medida para contar a história de forma calma e concisa (mesmo que a história não seja lá de uma grande complexidade).
Jaden Smith mostra-se um ator promissor, no início do filme Dre (o seu personagem) é um tanto chato e resmungão, mas com o tempo, se torna uma figura carismática. E isso deve-se principalmente a Jaden. Falando em carisma, ao assistir o filme preste atenção na menina Wen Wen Han, que faz o papel da amiga de Dre, Mei Ying, uma das crianças mais adoráveis que já apareceu em um filme. Além disso temos... Jackie Chan! Por que as coisas sempre ficam mais legais com o Jackie Chan? Resumindo, todos os atores do filme fazem um bom trabalho (a mãe de Dre, interpretada pela atriz Taraji P. Henson, apesar de não aparecer muito, participa de alguns momentos muito engraçados do filme).

No geral o filme é bem dirigido, com exceção de uma ou outra luta, e a trilha sonora é muito bacana quase sempre. A história é basicamente a mesma do antigo Karatê Kid, só que adaptada aos dias de hoje e a nova locação. Claro, temos algumas viajadas do roteiro (Dre treinando na muralha da china?), mas as falhas do filme são poucas se levarmos em conta o gênero.
Muito melhor do que se poderia imaginar, este novo Karatê Kid é um forte candidato a clássico de sessão da tarde, daqueles que animam um dia chuvoso em que você está preso em casa.
NOTA: 8,0
domingo, 1 de maio de 2011
Cine-Crítica: O Lutador

Depois de Cisne Negro resolvi revisitar outro clássico de Darren Aronofsky, O Lutador (The Wrestler – 2008). Este foi o primeiro filme do diretor a aparecer para o grande público, mas isso não quer dizer que seja um filme pipoca, ou filme família, pelo contrário, é um filme um tanto pesado, e que com certeza dá muito o que pensar.
O Lutador fala sobre Randy, o Carneiro (Mickey Rourke), um lutador profissional de luta livre de aparência bruta, mas que esconde por debaixo dos músculos uma sensibilidade rara. Ele gosta das lutas, gosta de dar um espetáculo ao público, não se importando com a dor dos ferimentos de lutas extremamente violentas. Dentro do ringue Randy é o herói da multidão, mas fora, ele é solitário e inseguro, não sabendo lidar direito com as pessoas nem com os próprios sentimentos.
É um personagem muito bem feito, tanto por parte do roteiro quanto por Rourke, que a muito não entregava uma interpretação tão boa. Em certa passagem, próxima ao final do filme, antes de entrar no ringue a personagem de Marissa Tomei pede para Randy, já meio debilitado, não entrar no ringue, então Randy responde: “O único lugar onde me machuco é lá fora”. Está passagem é a que nos mostra melhor como é a personalidade de Randy. Mostra que ele tem mais medo de se ferir emocionalmente do que fisicamente.
Muitas pessoas vão a locadora e acham que O Lutador é um filme sobre lutas e sem cérebro. Durante o filme estão espalhadas muitas cenas de luta (a maioria de extrema violência), mas o que acaba se destacando é o drama. É fácil gostarmos dos personagens e é fácil nos identificarmos com algumas questões propostas. E se você não pudesse mais fazer a única coisa que você sabe? Nem todas essas questões são exatamente novas, mas as situações criadas são verossímeis e muito contundentes.
Aronofsky conduz o filme da mesma forma que Cisne Negro e Réquiem para um Sonho, durante os três primeiros quartos, ele monta o palco para um último ato tenso e emocionante, o que é ótimo. Gostei mais do filme nesta segunda vez, assim como aconteceu quando assisti Sangue Negro e A Rde Social novamente há alguns dias. Acho que quando um filme vai ficando melhor a cada vez que se assiste, é um bom sinal. É um sinal de que a obra vai perdurar, e não vai ser esquecida facilmente.
NOTA: 9,0
OBS. Foi hoje mesmo que assisti Réquiem para um Sonho, outra obra do diretor que merece ser assistida por quem tiver oportunidade.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Cine-Crítica: Cisne Negro

Cisne Negro é sobre uma bailarina um tanto atormentada, escolhida para ser a protagonista de uma das peças mais clássicas do balé: O Lago dos Cisnes. Suas personagens são o Cisne Branco, frágil, delicado, doce, e o Cisne Negro, maléfico e ousado.
Para Nina, é fácil interpretar o Cisne Branco. Afinal, ela é igual. Mas para uma garota como ela, o Cisne Negro é um grande desafio. Nina não consegue se soltar. Sua criação rígida a tornou disciplinada demais para que ela interprete com paixão, independente das regras e da técnica. Nina quer ser perfeita.
No passado, ela se arranhava e se cortava, sintomas de um problema psicológico que acaba voltando com a pressão auto-infligida para ser perfeita no papel que milhares de bailarinas sonham em fazer. Então seus delírios se tornam perigosos para ela e para os outros, ao mesmo tempo em que a ajudam a construir a personagem.
Eu imagino como deve ser difícil para um ator/atriz criar um personagem que não consegue interpretar outro. Natalie Portman faz isso com maestria. É sério, é uma das interpretações mais impressionantes que eu já vi. É incrível e ao mesmo tempo perturbador ver como Portman muda sua expressão de assustada para sombria, e de volta para assustada, em cenas geniais.
A montagem do filme é maravilhosa. A direção de Darren Aronofsky é por vezes repetitiva, mas nos deixa próximos da história, como se estivéssemos ali, no cenário, junto com os personagens. Repare na fantástica cena do Cisne Negro, como a câmera de Aronofsky passeia entre os bailarinos, nos mostrando de perto e em detalhes, a espetacular coreografia. O diretor também domina o uso da câmera subjetiva como poucos.
Cisne Negro possui, sim, falhas. Mas são tão pequenas em comparação com as qualidades que podem passar despercebidas. O roteiro deixa muitos detalhes por conta da atenção do expectador, nunca sendo didático demais. Se você refletir nas cenas, observando as ações dos personagens e no que elas resultam, o sentido da história fica bem mais claro.
Este último filme de Darren Aronofsky mantém a fama do diretor de nunca ter feito um filme ruim. É um filme tenso, de nos deixar roendo as unhas. Um trabalho com conteúdo, uma bela obra-prima.
NOTA:10,0
sábado, 8 de janeiro de 2011
As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada

Aqui vou eu, mais uma vez falar de uma adaptação literária. O primeiro “As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” era um filme mediano e um tanto quanto arrastado, mas que se mantia interessante devido ao magnífico mundo Criado por C.S. Lewis, e ao carisma absurdo de então pequenina Geogie Henley. Já em “Príncipe Caspian”, tudo melhorou um pouco. Os efeitos especias não incomodavam tanto a narrativa, e impressionavam em muitos momentos pela qualidade e capricho. Porém, o roteiro ainda era falho e o filme continuava demasiadamente longo.
A bilheteria do segundo filme foi muito abaixo do esperado, fazendo com que a Disney desistisse de dar prosseguimento a série, levando a produção deste terceiro a Fox. Fiquei com um pé atrás com essa mudança, costumava dizer aos meus amigos (de brincadeira é claro) que a Fox não cosegue fazer boas adaptações de obras literárias de fantasia (Eragon, Os Seis Signos da Luz (argh!!!), entre outros), uma superstição de certa forma. Que se provou, também de certa forma, acertada.
“A Viagem do Peregrino da Alvorada” não é um filme ruim, mas é com certeza um retrocesso, principalmente em relação ao anterior.
Em primeiro lugar, se você leu o livro, não espere nenhuma fidelidade a obra de Lewis, o objetivo da aventura, o “vilão”, muitas das mensagens e conflitos do livro foram radicalmente mudados. Algumas coisas ficaram mal explicadas, outras são simplesmente sem sentido. Há uma cena, próxima do final em que a menina Gael (inexistente no livro, assim como toda a subtrama que a insere no filme)(spoiller!!!) se joga no mar para reencontrar sua mãe que estava desaparecida. Cena que se pretende emocionante, acaba sendo desconcertantemente hilária, lembrando aqueles episódios fillers horrorosos do anime Bleach. Uso este exemplo apenas para ilustrar como uma mudança na história do livro pode ser ridícula no filme. Não sou desses maníacos que querem fidelidade absoluta ao material original, mas parece que essas subtramas só são inseridas no roteiro para que o filme fique ainda maior, como se o público fosse sair do cinema insatisfeito se o seu ingresso valer menos do que duas horas de entretenimento. Enfim, a história foi tão alterada que na volta do cinema, eu e um amigo viemos comentando que provavelmente só um dos três roteiristas leu as Crônicas de Nárnia, os outro leram os gibis do Pato Donald , mangas do One Piece, assistiram episódios do Popeye e resolveram misturar tudo, só faltou o Brutus aparecer como vilão final.
Na parte das atuações, a série continua mais ou menos na mesma, com momentos bons e ruins dos atores, destaque apenas para Will Poulter como Eustáquio e para Ben Barnes que melhorou significativamente como Caspian. Claro, Georgie Henley continua esbanjando carisma, embora tenha muito a evoluir como atriz.
Um ponto importante em toda a série Nárnia é a questão da religião. A obra de Lewis é sempre vinculada a mensagens do cristianismo. Tenho lido muitas críticas contra este aspecto do filme, como se isso fosse um defeito do roteiro ou algo do gênero, o que é um erro. Todo artista passa mensagens do que acredita em suas obras, e cabe ao seu público aplicá-las ou não na vida real. A origem do que se fala não tem importância em si, e sim O QUE se fala. Não faço parte de nenhuma religião, mas isto não quer dizer que não posso aprender determinados valores de obras de cunho cristão, budista, espírita...
Algo que se destaca no filme, de forma negativa, são os efeitos. Se no segundo tinhamos efeitos por vezes embasbacantes, neste Peregrino da Alvorada, este aspecto é muito irregular. Na verdade não consigo pensar em nenhum momento em que a computação mostra algo realmente convincente(apenas Aslan e Ripchip talvez). O dragão Eustáquio é exremamente artificial, algumas CGs de games de PS1 são mais realistas, e a névoa que aparece em alguns momente do filme é pior do que a fumaça preta de Lost. Além disso, a fotografia estranha ( que não caiu bem com o estilo do filme) não ajuda.
Concluindo, este terceiro Nárnia é um filme com muitos baixos e quase nenhum alto, mas ainda assim é divertido em muitas partes. Vale uma conferida, mas provavelmente (e infelizmente), não uma continuação.
NOTA:5,5
sábado, 30 de outubro de 2010
As Melhores Coisas do Mundo

Mano é um adolescente comumente incomum. Comum por que tem as mesmas dúvidas e passa por muitos dos mesmos problemas de todos os outros jovens. Incomum por que de certa forma, é um pouco mais conservador do que a maioria, o que também não é tão incomum assim.
Se você assiste ou assistiu “Malhação” nos últimos três ou quatro anos, pegue o que assistiu e vire do avesso. Mano não é um protagonista perfeitinho. “As Melhores Coisas Do Mundo” não é um filme politicamente correto. Aqui, os jovens fumam, bebem, falam palavrão (nada muito exagerado), agem de forma preconceituosa e fazem merda. Inclusive Mano. E é isso que torna todos os personagens muito mais interessantes. Eles são verdadeiramente humanos. Ás vezes se arrependem do que fizeram de errado, ás vezes não.
A trama segue quase sempre por caminhos menos convencionais. São poucos clichês e situações batidas. Nada além do inevitável. E há momentos realmente emocionantes, como a cena dos ovos e a cena em que Mano chega em casa machucado depois de levar uma surra de outros garotos da escola e abraça o seu irmão em uma cena muito bem feita. Aliás, vale ressaltar a boa atuação de quase todo o elenco. Francisco Miguez cria um Mano muito interessante e carismático. Eu tinha um pé atrás com Fiuk, mas seu personagem é um dos mais interessantes do filme. Sua performance não é brilhante, mas é boa, principalmente se comparada a seu papel insosso na última temporada de “Malhação”. Além destes, outros atores fizeram um trabalho muito bom, como Gabriela Rocha e Denise Fraga.
Na parte técnica, o filme também se destaca. A direção de Laís Bodanzky é precisa, mostrando o mundo dos jovens de maneira muito realista, sem nenhuma maquiagem para o filme parecer mais bonitinho. A fotografia é boa e a montagem é ótima.
O cinema brasileiro mostra sinais de evolução. Este ano, já tivemos duas (que eu me lembre agora) obras de grande magnitude e irrefutável qualidade. Este “As Melhores Coisas do Mundo”, e "Tropa de Elite 2” de José Padilha (o qual eu ainda não assisti, mais venho lendo algumas das críticas mais positivas do ano). Tomara que mais filmes de qualidade sejam produzidos no Brasil. Eu adoraria que o preconceito (muitas vezes fundamentado) com o cinema nacional acabasse. Este filme de Laís Bodanzky é um salto quântico em relação as outras produções com tema jovem. Tomara que isso inspire outros a tentar coisas mais ousadas e que o público não aceite mais qualquer coisa que lhe seja empurrada goela abaixo. Até o momento, considero este, o melhor filme nacional que já vi. Agora quero assistir “Tropa de Elite 2” para ver se ele toma este lugar. Tomara.
NOTA: 9,0
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Sem Reservas (No Reservations)

Adoro comédias românticas. Não tenho vergonha de admitir. Será que um homem não pode cultivar a sua sensibilidade? Filmes leves e românticos quando bem feitos, são verdadeiramente emocionantes.
Vi um trailler de “Sem Reservas” na época do lançamento e gostei. Durante anos eu quis assisti-lo, mas só o fiz agora que o filme passou na TV aberta.
“Sem Reservas” não se encaixa na definição “comédia” romântica. É só um romance, ainda que siga o padrão das comédias românticas atuais. Isso, por outro lado, não quer dizer que o filme não possua algumas doses de humor.
Kate (Catherine Zeta Jones) é uma chefe de cozinha que vive para o trabalho. A vida dela começa a mudar quando sua irmã sofre um acidente de carro. Sem experiência como mãe, Kate tem que aprender a cuidar de sua sobrinha Zoe ( a talentosa Abigail Beslin, da qual sou fã desde “Sinais” ), e para piorar, durante sua ausência, a dona do restaurante contrata um novo chefe, Nick (Aaron Eckhart), um homem excêntrico e engraçado. A partir daí, o romance entre os dois se desenrola lentamente, enquanto o filme mostra as dificuldades de Kate e Zoe para se adaptarem com a morte da irmã/mãe. Muito bem escrito, o roteiro explora o amor de Kate por gastronomia através de momentos engraçados. O filme possui também ótimas atuações. Catherine Zeta Jones está linda como nunca e a química entre ela e Aaron Eckhart é inegável, casal muito bem escolhido.
Belo, envolvente e bem escrito, “Sem Reservas” é um ótimo filme, ainda que às vezes, previsível. Mesmo sem ter visto o filme original – trata-se de uma refilmagem– este é, desde já, um dos meus romances favoritos.
Nota: 8,0
sábado, 5 de junho de 2010
Frost/Nixon

Já começo esta crítica dizendo que Frost/Nixon é, provavelmente, o melhor filme de Ron Howard.
Sim, eu sei que o cineasta possui alguns filmes excelentes, e que muitas pessoas vão discordar de mim, dizendo que “Uma Mente Brilhante” é melhor. Bom, talvez seja, mas essa é uma discusão irrelevante.
O fato puro é que “Frost/Nixon” é uma bela obra de arte. Trata de um dos maiores (senão o maior) escândalos políticos da história dos Estados Unidos : O caso Watergate e a renúncia de Richard Nixon a presidência. Mais específicamente, o filme trata da entrevista feita por David Frost com Nixon, onde o ex-presidente admite ter culpa em muitos casos de corrupção e abuso de poder. O filme, porém, não se prende apenas a entrevista em si, e mostra também um pouco da vida pessoal de seus protagonistas, e os desafios de Frost para realizar a entrevista.
O longa é técnicamente primoroso, com um ótimo roteiro, que prepara bem o terreno, fazendo com que o expectador esteja ansioso pelo bombástico clímax. O desenrolar é lento, nunca atropelado, mas também nunca maçante ou entediante.
Porém, o destaque mesmo fica para as atuações. Frank Langella e Michael Sheen, Nixon e Frost, respectivamente, são igualmente brilhantes em seus papéis, embora apenas Langella tenha sido indicado ao OSCAR. Contudo, Sam Rockwell, Oliver Platt e Kevin Bacon, coadjuvantes, não ficam atrás.
“Frost/Nixon” é inteligente. Não é um filme pra quem só gosta de pancadaria descerebrada. É históricamente importante. Mesmo que, em algumas cenas, as reações dos personagens sejam um tanto quanto exaltadas em comparação com a entrevista original, a escência do que vemos na tela é muito fiel ao que de fato aconteceu. Um belo trabalho de Ron Howard e do roteirista Peter Morgan (que também escreveu a peça teatral que deu origem ao filme). Um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.
Nota: 9,0
segunda-feira, 31 de maio de 2010
O Invencível (Largo Winch)

Poucos assistiram no Brasil a série de televisão Larga Winch”, baseada em uma graphic novel francesa de sucesso na Europa. Portanto, o nome não é muito famoso por esses lados, o que é uma pena, pois a série era excelente.
“O Invencível” é um longa-metragem baseado no personagem, mas que não tem ligação direta com a série. O filme conta a história de Largo Winch, filho adotivo do bilionário Nerio Winch, dono de uma das maiores empresas do mundo. Após o assassinato de Nerio, cabe a Largo assumir o comando de todo o império Winch. Porém, nem todos o querem como presidente. Então começa uma conspiração para impedi-lo de chegar ao poder. A sinopse da história diz muito pouco sobre a trama de Largo Winch, parece desinteressante, mas não é. Há muitos personagens legais na história, e o desenrolar da trama mantém a atenção do expectador.
O filme é muito bem dirigido por Jérome Salle, e possui um ótimo senso artístico, como de praxe no cinema europeu. As cenas de ação não contém os exageros típicos deste tipo de filme, o que é bom e mantém o realismo. Com boas atuações, o elenco se destaca como um todo.
Todas essas qualidades tornam “O Invencível” um filme ótimo para quem curte tramas intrincadas com boas doses de ação. Fuja um pouco dos estereótipos hollywoodianos, de uma chance a Largo Winch na próxima vez que for a locadora.
Nota:8,5
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Um Olhar do Paraíso ( The Lovely Bones)

Um Olhar do Paraíso é o novo filme de Peter Jackson. Depois da premiadíssima trilogia “O Senhor dos Anéis” e do ótimo “King Kong”, qualquer projeto que envolva o nome do diretor chama a atenção da mídia. Mas se “Distrito 9” (no qual Jackson foi produtor apenas) foi uma agradável surpresa, este “Um Olhar do Paraíso” (que inclui até mesmo Steven Spielberg como produtor executivo) é apenas uma surpresa, não muito boa, mas também não é ruim.
O filme fala sobre a história de Susie Salmon (“Salmon, como o peixe”), que foi assassinada aos quatorze anos, e se desenrola mostrando como o fato afetou as pessoas que estavam à volta de Susie enquanto viva. O interessante, porém, é que quem conta a história é a própria Susie, que está em um mundo que não é nem céu nem terra, mas um mundo intermediário. Deste lugar ela consegue enxergar as pessoas na terra, incluindo seu assassino, e pode até afetar alguns dos vivos.
Sem dúvida, esta premissa tinha muito potencial, mas foi mal aproveitada. Peter Jackson exagera em alguns planos. Um filme que começa muito bem, com personagens carismáticos e dramas bem feitos descamba um pouco, perto da metade, onde tem início um festival de efeitos visuais. A trama fica bem mais superficial e genérica. O problema não são os efeitos, é que a partir daí, o filme se foca mais nisso e em elementos viajantes da história, do que na parte humana, que é o que interessa.
Mas tirando isso e mais algumas incoerências do roteiro, o resto agrada bastante. A bela trilha sonora complementa as boas atuações de Mark Wahlberg , Susan Sarandon e Saoirse Ronan, que interpreta Susie e é o carisma em pessoa. Apenas Rachel Weisz não chama a atenção em nenhum momento.
Além disso, o filme é lindo. Tem uma bela fotografia, ótima direção de arte e os já citados efeitos visuais são muito bem feitos.
Vale a pena dar uma chance a este filme. Muitos vão odiá-lo, outros vão amá-lo, mas é fato que o longa prende a atenção até o fim, e creio que ninguém achará que foi um desperdício de tempo parar para assisti-lo.
Nota: 7,0
quarta-feira, 31 de março de 2010
Crítica: 2012

2012 , a última epreitada de Roland Emmerich pode ser definido simplesmente como mais um filme de Roland Emmerich. Exagerado, irreal e (pelo menos pra mim), muito divertido.O longa acerta em diversos pontos, e erra em outros na mesma proporção.
Os tão falados efeitos visuais do filme são sem dúvida o ponto alto. Cenas como a destruição de algumas metrópoles, são um primor técnico (esse departamento é a especialidade do diretor), e muitas outras cenas absurdas são absolutamente convincentes. Poucas cenas são visivelmente artificiais, como a sequência em que o avião em que os protagonistas estão tenta decolar e a pista atrás deles começa a desmoronar, ou a explosão de um vulcão (apenas a cena da explosão, pois a cena que se segue, em que pedaços da montanha atingem o chão, é impressionante).Outro acerto do filme é quanto aos personagens. Não no sentido psicológico ou de realismo(nesses aspéctos os personagens ficam devendo muito), mas no carisma que possuem e no humor de bom gosto que proporcionam, com destaque para o paranóico Charlie Frost, brilhante.
Agora, falando das falhas do filme, que não são poucas.Uma das primeiras coisas negativas que se percebe ao começar a assistir o filme é que Emmerich repete, quase que na íntegra, a fórmula de seus filmes-catástrofe anteriores, O Dia Depois de Amanhã, e Independence Day. Um núcleo político e um com pessoas normais que tentam sobreviver as tragédias.E no fim isso acaba sendo a pior coisa do filme. A parte política é chata e arrastada, repleta de diálogos sem sal e discursos políticos contrangedores vindos do presidente dos Estados Unidos, e a parte mais humana é repleta de clichês. Clichês cinematográficos, como as partes (isso mesmo, no plural...) em que o personagem de John Cusack parece ter morrido e aparece novamente de repente, deixando todos felizes, e clichês do próprio diretor durante todo o roteiro.
A segunda falha perceptível é o fato de os protagonistas terem uma sorte absurda. Enquanto assistia o filme lembrei de um episódio de Os Simpsons em que Homer salva a cidade de uma explosão nuclear sem saber o que estava fazendo e tem a sua foto exibida ao lado da palavra sorte no dicionário. Adeus Homer, Jackson Curtis tomou seu lugar. Em inúmeras(isso mesmo, no plural denovo!) ocasiões, os personagens escapam da morte por um fio, tornando a experiência demasiadamente inverosímil, mesmo para este tipo de filme.
Além disso o filme é longo demais, e a culpa é de alguns diálogos e cenas de ação desnecessárias.Durante o filme temos nada menos que três cenas de aviões decolando no último instante para escaparem da destruição, e nas três a situação é idêntica. Além dessas estão outras cenas que parecem se repetir, e coisas que dão errado de forma gratuita, só pra injetar no espectador mais uma dose de adrenalina sem necesside.
O final do filme é mais uma herança de O Dia Depois de Amanhã, pois nos dois filmes, os americanos são obrigados a deixarem seu país e se refugiarem no terceiro mundo. O México naquele, e a África neste.Isto transforma um final que podia ser irônico em uma coisa repetida também.Até a cena em si que mostra a terra do espaço soa familiar.
Mesmo com todas as falhas, 2012 ainda é um filme divertido se encarado como diversão casual. Não é o melhor filme de Roland Emmerich, não superando O Dia Depois de Amanhã, nem Independence Day, mas ainda prende o espectador com suas cenas de destruição, efeitos espetaculares e humor de primeira.Apesar de tudo, recomendado.
Nota : 6,0
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